quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Origem da Vida e seus Pesquisadores

Algumas coisas que se ouvem muito nos meios acadêmicos, em centros de pesquisa e são bastante propagadas por revistas de divulgação científica, são que a Evolução é um fato, que crer em Deus e em Criacionismo é uma coisa para ignorantes, porque Deus e Criacionismo não podem ser estudados de forma racional, etc.

Bem, se a evolução é um fato, segundo dicionários de português, ela é real,verdadeira, algo que acontece. Acho que hoje em dia ninguém (ou pelo menos quase ninguém) discorda de que ocorrem mutações nos seres vivos, de que eles se adaptam, enfim ... A maioria das pessoas pensantes também percebe que a seleção natural faz bastante sentido. A questão é que a Síntese Evolutiva Moderna agrega muito mais idéias além destas, você precisa aceitar que houve um ancestral comum para todas as espécies de seres vivos que existem sobre a Terra. E ai eu encontro mais duas palavras problemáticas que não foram até hoje bem definidas e sobre as quais não existe consenso entre os cientistas, que seriam: vida e espécie. Para a última existem pelo menos umas 3 definições: o conceito evolutivo, o filogenético e o biológico. A última é mais difundida, mais aceita, mas existem várias exceções para ela e isto, para mim, significa que a definição ainda não ficou boa.

Tudo bem, deixando de lado as definições, se querem que algo seja aceito como fato, coisa real, verdadeira, e se a Evolução pode ser estudada cientificamente, então tem que poder acontecer duas coisas: primeira, se é um fato tem de poder ser observada e, segundo, se pode ser comprovada cientificamente tem de poder se comprovar pelo método científico com a exclusão de qualquer outra hipótese. O primeiro teste é simples: Se houve um ancestral comum e se ele se originou da primeira molécula ou conjunto de compostos que deram origem a vida, então tem de ser possível se observar isto. E o problema com fatos é que não se pode afirmá-los quando ocorreram no passado e ninguém estava lá para ver.

Comprovar uma hipótese que não pode ser acessada diretamente também é difícil, porque se a origem da vida for reproduzida em laboratório, quem garante que foi assim mesmo que aconteceu?

Por falar nisso, como fica a origem da vida em laboratório, sim, porque como disse Robert Shapiro, um pesquisador que crê que a origem da vida foi através de metabolismo primeiro: "Em contraste, nenhum nucleotídeo de qualquer tipo foi relatado como produto de experimentos com discarga de faíscas ou em estudos de meteoritos, nem as unidades menores (nucleosídeos) que contêm um açúcar e base, mas falta o fosfato. Para resgatar o conceito de RNA-primeiro deste, normalmente, defeito letal, seus defensores criaram uma disciplina chamada síntese prebiótica. Eles têm tentado demonstrar que RNA e seus componentes podem ser preparados em seus laboratórios em uma sequência de reações cuidadosamente controladas, normalmente realizadas em água a temperaturas observadas na Terra. Tal sequência inicia usualmente com compostos de carbono que tenham sido produzidos em experimentos com discarga de faíscas ou encontrados em meteoritos. A observação de um composto químico orgânico específico em qualquer quantidade (mesmo como parte de uma mistura complexa) em uma das fontes acima justifica sua classificação como "prebiótico", uma substância que supostamente se provou estar presente na Terra primitiva. Uma vez tendo recebido esta distinção, o produto químico pode então ser usado na forma pura, em qualquer quantidade, em outra reação prebiótica. Os produtos de tais reações também serão considerados "prebióticos" e empregados no próximo passo da sequência. O uso de sequẽncias de reações deste tipo (sem qualquer referência à origem da vida) tem há muito sido uma prática honrada no campo tradicional da química orgânica sintética. Meu próprio orientador da tese de PhD, Robert B. Woodward, recebeu o Prêmio Nobel por sua brilhante síntese de quinino, colesterol, clorofila e muitas outras substâncias. Pouco importa se quilogramas de material inicial foram necessários para produzir miligramas de produto. O ponto foi a demonstração de que seres humanos podem produzir, ainda que ineficientemente, substâncias encontradas na natureza. Infelizmente, nem químicos nem laboratórios estavam presentes na Terra primitiva para produzir RNA." Robert Shapiro, ""A simpler origin for life", Scientific American, 12 de fevereiro de 2007.

Outro ponto: se crer em Deus é um viés que impede o estudo racional do assunto sobre as origens, como fica a declaração abaixo (feita por ninguém menos do que Freeman Dyson):
"A descrição de Oparin foi geralmente aceita pelos biólogos por meio século. Ela era popular não porque houvesse qualquer evidência para apoiá-la, mas antes porque parecia ser a única alternativa para o criacionismo bíblico." Freeman Dyson, "Origins of Life", p. 38.

Racionalidade, objetividade, sem comentários ...

Eu admiro Darwin (criacionistas e evolucionistas me apedrejariam por isto), ele foi honesto na forma de colocar suas idéias, teve um insight brilhante quando percebeu que as espécies se modificavam e foi metódico ao documentar isto. Ele sabia que havia falhas no seu trabalho e ele admitiu isto na introdução de seu livro. Infelizmente, as pessoas não lêem atentamente o livro dele (ou nem lêem) e idolatram a imagem que fizeram dele.

Uma vez em uma palestra sobre origem da vida alguém me disse que origem da vida não faz parte da Teoria da Evolução. Tudo bem, só tem uma coisinha: sem origem da vida não tem ancestral comum, sem ancestral comum não existe origem das espécies. Voltando a origem da vida, Leslie Orgel, que foi uma espécie de pai da idéia do mundo de RNA primitivo, passou grande parte de sua vida pesquisando sobre o assunto, e morreu em 2007, disse o seguinte em um artigo que encontrei no site da Nasa anteriormente (agora pode ser encontrado no seguinte link http://eddieting.com/eng/originoflife/orgel.html):

"A hipótese mais simples presume que os nucleotídeos no RNA se formaram quando reações químicas diretas levaram a união do açúcar ribose com bases dos ácidos nucléicos e fosfato (que estaria disponível no material inorgânico). Este cenário é atrativo mas, como será visto, tem-se provado difícil de confirmar. ...)". E ele prossegue relatando todas as dificuldades.

Gerald Joyce, que foi orientado por Orgel em seu doutorado, e é também pesquisador da origem da vida através da molécula de RNA ou algum precursor semelhante, disse o seguinte em um artigo publicado na Nature em 2002:

“O principal obstá́culo para se entender a origem da vida baseada em RNA é identificar um mecanismo plausível para vencer a bagunça produzida pela química prebiótica” Gerald F. Joyce, "The antiquity of RNA-based evolution" Nature, 11 de julho de 2002.

Shapiro faz algumas considerações interessantes em um artigo publicado em 2007 na Scientific American:

“A analogia que vem a mente é a de um jogador de golfe, que tendo jogado uma bola através de uma rota de 18 buracos, então presume que a bola também jogaria a si mesma por esta rota na ausência dele. Ele demonstrou a possibilidade do evento; só é necessário imaginar que alguma combinação de forças naturais (terremotos, ventos, tornados e inundações, por exemplo) poderiam produzir o mesmo resultado, dado tempo suficiente. Nenhuma lei física precisa ser violada para a formação espontânea de RNA acontecer, mas as chances contra isto são imensas, implica em que o mundo não vivo tem um desejo inato de gerar RNA. A maioria dos cientistas da origem da vida que ainda apoia a teoria do RNA primeiro ou aceita este conceito (implicita, se não explicitamente) ou acha que as chances imensamente desfavoráveis foram simplesmente vencidas por boa sorte.”
“Imagine um gorila (braços muito longos são necessários) em um imenso teclado conectado a um processador de palavras. O teclado contém não apenas os símbolos usados nas linguagens inglesa e européia, mas também um enorme excesso extraído de todas as outras linguagens conhecidas e todos os conjuntos de símbolos armazenados em um típico computador. As chances de uma reunião espontânea de um replicador no ‘pool’ que eu descrevi acima pode ser comparada àquelas do gorila compor, em inglês, uma receita coerente de chili com carne. Com considerações semelhantes em mente, Gerald F. Joyce do Scripps Research Institute e Leslie Orgel do Salk Institute concluiram que o aparecimento espontâneo de cadeias de RNA na terra sem vida ‘teria sido um quase milagre’. Eu estenderia esta conclusão a todos os propostos substitutos de RNA que mencionei acima.” Robert Shapiro, "A simpler origin for life", Scientific American, 12 de fevereiro de 2007.

A observação de Shapiro, de que "só é necessário imaginar que alguma combinação de forças naturais (terremotos, ventos, tornados e inundações, por exemplo) poderiam produzir o mesmo resultado, dado tempo suficiente" me veio a mente quando estava lendo o artigo publicado na Nature, no ano passado, sobre a síntese de nucleotídeos de pirimidina e que foi divulgado como algo que deixou a origem da vida por RNA bem próxima de se comprovar. No final do artigo aparecem as seguintes considerações:

"Embora a questão de fornecimentos temporalmente separados de glicolaldeído e gliceraldeído permaneça um problema, uma variedade de situações poderia ter surgido que resultaria nas condições de aquecimento e progressiva desidratação seguida de congelamento, reidratação e irradiação ultavioleta." Matthew W. Powner, Beatrice Gerland e John D. Sutherland, "Synthesis of activated pyrimidine ribonucleotides in prebiotically plausible conditions", Nature, 14 de maio de 2009. É poderia ... não é impossível, como disse Shapiro. Acho que provar que algo é impossível é bem difícil, inclusive que Deus não existe.

Shapiro acredita que um ciclo composto por moléculas bem mais simples que nucletídeos poderia ter dado origem a uma espécie de ciclo metabólico pouco sofisticado que teria a capacidade de se reproduzir e suportar seleção natural. Outros pesquisadores partilham de idéias semelhantes, um deles, Günter Wächtershäuser, propôs um ciclo que considerou simples, o ciclo do ácido cítrico reverso, um ciclo autocatalítico, ou seja, as próprias moléculas carreadoras do ciclo servem como catalisadoras das reações. Em 200O, Orgel publicou um artigo sobre este tipo de ciclo (porque ciclos do tipo autocatalílico eram uma proposta comum entre defensores do metabolismo primeiro na origem da vida):

“Postular um reção catalisada ao acaso, talvez por um íon metálico, pode ser razoável, mas postular um conjunto delas é apelar para a magia.” Leslie E. Orgel, "Self-organizing biochemical cycles" Leslie E. Orgel, PNAS, 7 de novembro de 2000.

Mas em janeiro deste ano uma pesquisa publicada pareceu dar um "xeque mate" na proposta de metabolismo primeiro na origem da vida:

"Em agudo contraste com a dinâmica da replicação dependente de molde, demonstramos aqui que a replicação da informação de compostos é tão imprecisa que os mais ajustados genomas de compostos não se mantêm pela seleção e, portanto, falta-lhes capacidade de evolução (isto é, não podem substancialmente se afastar da solução steady-state assintótica já embutida nas equações dinâmicas). Concluímos que esta limitação fundamental de conjuntos de replicadores adverte contra teorias de origem da vida de metabolismo primeiro, embora sistemas metabólicos antigos possam ter providenciado habitat estável dentro do qual replicadores poliméricos mais tarde evoluiram." Vera Vasas, Eörs Szathmáry e Mauro Santos, "Lack of evolvability in self-sustaining autocatalytic networks constraints metabolism-first scenarios for the origin of life", PNAS, 26 de janeiro de 2010.

Contudo, eu não apostaria que os defensores do metabolismo primeiro na origem da vida vão desistir assim tão fácil, afinal, os proponentes do "Mundo de RNA" continuam suas pesquisas nesta linha apesar de todos os viéses e críticas. Seria porque alguma destas hipóteses "tem que" funcionar de qualquer jeito para não se pensar em "criacionismo bíblico", como disse Dyson?

Por favor, a origem da vida e o ancestral comum, seja lá como possam ter sido, é algo que aconteceu no passado, é algo intangível, tão intangível quanto Deus. Agora, se podemos rastrear as evidências de algo que aconteceu em um passado impalpável, por que não podemos rastrear Deus da mesma forma? "Não, mas estudar a origem química da vida é uma coisa racional, não influenciada por crenças pessoais (contanto, que exclua Deus)."

Uma vez eu vi uma charge, em uma revista, em que um homem caminhava com uma bengala e uma Bíblia no rosto tapando seus olhos. E é verdade, muita gente usa a Bíblia como desculpa para não estudar e entender a natureza. É verdade também, com frequência, que estas pessoas não estudam a Bíblia também, mas permitem que outros que se consideram versados na Bíblia os guiem e lhes dirijam as crenças sobre o que a Bíblia ensina. Bem, e se mudássemos apenas um detalhe nesta figura? E se ao invés da Bíblia fosse o "Origem das Espécies"? Isto se pareceria com alguma coisa que acontece na realidade?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Êfemera

O Pai Eterno, Arquiteto do Universo,
Teve um belo sonho e o tornou realidade
E o substrato do mundo disperso
De gases e poeira na imensidade
Tornou-se o primeiro lar da humanidade
Onde a dor e a morte não existiam
E o mal era apenas possibilidade
Que nossos pais não conheciam.

Quando as sombras encheram nosso mundo,
Quando murcharam as primeiras flores,
E o desespero era negro e profundo,
Uma promessa apontava um ``Varão de Dores'',
Que entre o céu e a terra seria suspenso,
De ponte entre Deus e o homem serviria.
Seu sofrimento seria muito intenso
Mas por amor a tudo venceria.

Esse Deus maravilhoso, de múltipla sabedoria,
Na natureza nos ensina e guia
Ainda que maculada e enfraquecida
Ela dá preciosas lições de vida.
Veja-se a efêmera, inseto curioso,
Que segue seu destino imperioso;
Adulta, vive apenas um dia,
Embora como larva há muito já existia.

Como larva, eu aqui sofria;
No fundo de algum lago vivia;
Meu mundo era apenas isso então
No fundo, a lama; acima a escuridão.
Sem respostas, sem saídas, sem retorno.
Pouco tempo, na verdade, era preciso
Para saber de tudo que havia em torno
Parecendo amplo, mas, de fato, conciso.

Os tipos de ilusões podem variar
Pra que a vida se passe em sonhos
Que nunca vão se concretizar
Porque mesmo nos dias risonhos
Em que eles parecem reais
As satisfações materiais
Não limpam a alma do mundo,
Quando a larva se transforma
E voa como forma alada
Para longe do lago em que se forma,
Logo em adulta será transformada.

Para todos chega um dia
Em que é preciso se encontrar
Com a destruição da fantasia,
Em que é preciso encarar
A própria vulnerabilidade,
A importância da calamidade,
A inutilidade de impedir a morte
E o que nos sobrevém aos azares da sorte.

Como o incerto pode contar-se certo?
E o mutável confiável?
Mas quando além do lago vê o céu
E de seus olhos cai um negro véu,

Quando contempla a Estrela da Manhã
E vê que em Cristo a esperança não é vã
Então a larva é transformada
E o lago já não é mais sua morada

Porque do mundo tira as afeições
Já não o enganam suas ilusões.
E quando em adulto então se transformar,
Morrer ao eu irá, ao eu irá negar.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Qualquer coisa

Qualquer coisa que descreva a beleza de um momento
Qualquer coisa evocando lembranças perdidas no tempo
Qualquer coisa que chamou de volta as esperanças

Qualquer coisa no ar e um sentimento
Mais profundo, mais bonito que voar no vento
Qualquer coisa … fascinante como o mar!
É qualquer coisa … melhor que sonhar!

Há qualquer coisa que não sei explicar
Que me impressiona na beleza de um olhar
Que me emociona e que me faz chorar
Faz tanto tempo que esperei falar!

Ainda nem consigo acreditar
Depois da chuva vem o arco-íris
Além da areia está o mar
Agora já encontrei o meu lugar

Há qualquer coisa … qualquer coisa nesse olhar
Um espelho para me mirar
Um conselho sábio a cativar
Alguma coisa que me fez te amar

terça-feira, 4 de maio de 2010

Os que não aprendem da história ...

"Os que não aprendem da história estão fadados a repeti-la." George Santayana

"A perseguição aos cristãos é o nome dado aos maus tratos físicos, agressões e mortes sofridas por cristãos por causa da sua fé. Esta perseguição foi levada a cabo na antiguidade pelos judeus, de cuja religião o cristianismo era uma ramificação, e também pelos imperadores do Império Romano, que controlava grande parte das terras onde o cristianismo primitivo distribuiu-se,e para o qual o cristianismo constituía uma seita. Tal perseguição pelos imperadores teve fim com a legalização da religião cristã por Constantino I, no início do quarto século."
(http://pt.wikipedia.orgwikiPerseguição_aos_cristãos)

Com o Édito de Milão, em 313, o Cristianismo passou a ser tolerado pelo Império Romano e acabou se tornando a religião oficial do império. Com a mudança de status por parte do Cristianismo, logo muitos costumes pagãos começaram a ser adotados
para satisfazer a maioria. Introduziram-se imagens nas igrejas, autoridade eclesiástica, infalibilidade do papa, adoração no dia do Sol (sunday), etc. E aqueles que foram perseguidos tornaram-se perseguidores.

"Desde o início, os valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia em sua própria língua, sendo esta Bíblia a fonte de toda autoridade eclesiástica.
Os valdenses reuniam-se em casas de família ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à perseguição da Igreja Católica. Celebravam a Santa Ceia uma vez por ano. São considerados como uma igreja pré-reformada. Negavam a supremacia de Roma, rejeitavam o culto às imagens como idolatria.
Foram duramente perseguidos na França e na Itália, instalando-se com maior concentração nos vales alpinos de Piemonte, norte da Itália." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Valdenses)

Antes da reforma protestante do século XVI, milhares foram mortos, queimados vivos ou deixados a morrer de doença e abandono
em prisões insalubres. Casos mais famosos foram os de Jan Hus, Hugh Latimer e o massacre de São Bartolomeu, em que se estima que foram assassinados entre 5000 a 30000 huguenotes (http://en.wikipedia.org/wiki/St._Bartholomew's_Day_massacre).

Mas como as pessoas não costumam aprender da história, em países da Europa em que alguma fé protestante tornou-se a Igreja Estatal, quando novos grupos surgiam, em que se acreditava ter-se encontrado novas verdades, os antigos perseguidos tornavam-se agora perseguidores. Em 6 de setembro de 1620, muitos puritanos fugiram da Inglaterra para os Estados Unidos, a bordo do Mayflower, em busca de liberdade religiosa. Não é para menos que a primeira emenda da constituição dos Estados Unidos reza: "O congresso não fará nenhuma lei com respeito ao estabelecimento de religião, ou proibindo o livre exercício dela; ou diminuindo a liberdade de expressão, ou de imprensa; ou o direito das pessoas de se reunirem pacificamente, e a petição ao governo de reparação de injustiças." (http://topics.law.cornell.edu/constitution/billofrights)

Os Estados Unidos se tornaram o país da liberdade e, neste clima, o país cresceu e prosperou, tornou-se a primeira nação do mundo. Poderia haver, neste país, ameaça a liberdade de consciência? Podemos ver algo que aponte para isto hoje?

"Reconstrucionismo Cristão é uma forma de teologia de domínio teocrático. Seus líderes desafiam evangélicos de uma ampla faixa de crenças teológicas a se engajar em uma forma de participação política mais muscular e ativista. O tema central da teologia de domínio é que a Bíblia manda os cristãos dominarem e "ocuparem" as instituições seculares. Muitos líderes da Direita Cristã leram o que os Reconstrucionistas Cristãos escreveram e adotaram a idéia de assumir o domínio das instituições seculares dos Estados Unidos como a "ideologia central unificadora" de seu movimento social. Eles decidiram obter poder político através do Partido Republicano." Esta explicação pode ser encontrada no site http://theocracywatch.org/
Neste site existem vários links para notícias sobre as atividades destes grupos nos Estados Unidos. Estes movimentos têm ramificações também em países da Europa.

Mais algumas afirmações alarmantes: "Os Dominionistas estiveram muito próximo de controlar todos os três ramos do governo federal a partir dos quais eles poderiam impor sua interpretação estreita das Escrituras sobre o resto da sociedade. Pessoas tão próximas de total poder político não desistirão. O povo americano precisa manter vigilância e entender a história de como os dominionistas chegaram ao poder político. E precisamos abraçar a democracia com paixão - pois foi a apatia dos eleitores que permitiu a líderes como Pat Robertson conseguir ter tantos dominionistas eleitos para o Congresso em primeira instância."

Pelo que podemos observar, as pessoas esquecem facilmente aquilo a que não prestaram atenção e aprenderam. Pela índole do povo atualmente, podemos ver para onde ele se dirige. O espírito de intolerância está por toda a parte. Podemos defender nossas idéias e, mesmo que tenhamos a certeza de que estão certas, nunca deveríamos mover um dedo para impô-las de qualquer forma, seja pela força ou pela intimidação. Não temos o direito de ridicularizar ou excluir ninguém.

domingo, 18 de abril de 2010

Evidências de Deus na história humana

Podemos encontrar evidências de Deus na história humana?
Essa é uma pergunta que cada um precisa responder para si mesmo.
Mas eu posso citar alguns poucos exemplos, embora pudessem ser escritos muitos livros apenas listando exemplos como estes.

Daniel foi um dos cativos hebreus que viveu em Babilônia por volta do sexto século antes de Cristo. Ele escreveu um livro que leva seu nome o qual contém inúmeras profecias sobre eventos futuros na história humana. Os manuscritos do Mar Morto também continham fragmentos do livro de Daniel, bem como de todos os outros livros das Escrituras (com exceção do livro de Ester).
Uma profecia interessante é a que se encontra no capítulo 2 de seu livro. Neste capítulo ele descreve o sonho do rei Nabucodonosor com os impérios que sucederiam o de Babilônia. O símbolo usado foi o de uma grande estátua composta de quatro tipos de metal: ouro, prata, bronze e ferro. Cada metal representava um império: a cabeça de ouro Babilônia, o peito e os braços de prata os medos e persas coligados, os quais conquistaram Babilônia em 539 a.C., o ventre e os quadris de bronze a Grécia, que dominou o império persa a partir de 331 a.C. por meio de Alexandre, o Grande e as pernas de ferro, o império romano, que assumiu o poder na região por volta do ano 168 a.C.

Os pés da estátua eram em parte de ferro e em parte de barro e Daniel explicou que eles não seriam um quinto reino (império) mas sim o quarto dividido (10 dedos). Isto representa bem as divisões do Império Romano pelos bárbaros que deram origem às nações da Europa. Daniel afirma que este reino dividido nunca mais formaria um reino só, embora tentassem ligar-se inclusive através de casamentos. É notório que as nações da Europa procuraram fazer alianças mediante casamentos por toda a antiguidade. Atualmente a Europa conseguiu uma razoável uniformidade, mas ainda existe uma grande quantidade de obstáculos para a unidade em toda a Europa. Daniel finaliza dizendo que nos dias dos dedos da estátua, no final da história humana, "o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído". Ele é simbolizado por uma grande pedra que feriu a estátua nos pés e a consumiu e encheu toda a Terra. Segundo Daniel, este reino será o de Deus.

Um outro exemplo é o do capítulo 11 do livro de Apocalipse. São descritas duas testemunhas profetizando vestidas de pano de saco por 1260 dias, sendo mortas e depois ressuscitadas em um período de 3 dias e meio. Tudo isto acontece em uma "grande cidade" que "espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado". Embora fique muito longo entrar nos detalhes desta profecia aqui, é possível fazer um resumo de alguns deles. No contexto das Escrituras, dias em profecia significam anos* (Números 14:34 e Ezequiel 4:7), portanto 1260 dias são 1260 anos e 3 dias e meio são 3 anos e meio. Os 1260 anos aparecem em outras profecias das Escrituras (Daniel 7, Daniel 12, Apocalipse 12 e 13). O estudo destas profecias estabelece o início dos 1260 anos em 538 a.C. e, portanto, eles terminariam em 1798 d.C. A imagem das duas testemunhas remete para a profecia em Zacarias 4. O profeta Zacarias viu um castiçal com 7 lâmpadas tendo uma oliveira em cada um dos seus lados. Ele pergunta ao anjo que lhe mostra estas
coisas o que era aquilo. O anjo começa sua explicação dizendo que aquilo era a palavra do Senhor.
Mas Zacarias ainda não entende e pergunta especificamente o que são as 2 oliveiras junto ao castiçal. O anjo então responde que elas "são os dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a terra". (Note o que é dito sobre as duas testemunhas em Apocalipse 11:4: "Estas são as duas oliveiras e os dois candeeiros que estão diante do Senhor da terra.") Estes dois ungidos que o anjo diz que são a palavra do Senhor são as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento que durante a Idade Média (1260 anos) eram proibidas de serem lidas e interpretadas pelos leigos (pessoas que não fossem sacerdotes) e, portanto, davam o seu testemunho vestidas de saco. No Antigo Testamento, quando alguém se vestia de pano de saco isto significava uma grande tristeza, luto, consternação ou vergonha e humilhação (Gênesis 37:34; 1 Reis 21:27; 2 Reis 6:30; 2 Reis 19:1). Ao final dos 1260 anos, em 1798, estava em andamento a Revolução Francesa. Mas e quanto aos 3 dias e meio em que as testemunhas estiveram mortas?

Quando começou a Revolução Francesa, o clero possuía privilégios especiais. Em 11 de novembro de 1793 a Bíblia foi suprimida através de um decreto e em novembro de 1796 foi decretada tolerância à Bíblia, mas esse decreto só entrou em vigor a partir de junho de 1797. Durante a Revolução Francesa a religião foi abolida, os sacerdotes obrigados a abdicar de sua religião, muitos foram mortos e outros fugiram. O Egito é apresentado na Bíblia como uma nação que negou a Deus (Êxodo 5:2) e Sodoma como um povo onde imperava a dissolução (Jeremias 23:14 e Ezequiel 16:49). Estas duas coisas aconteceram na França durante a revolução. Em 10 de novembro de 1793, Bíblias foram queimadas.

Os franceses festejaram sua nova condição realizando homenagens à deusa da razão na catedral francesa. Em Apocalipse é mencionada a grande cidade de Babilônia (Apocalipse 14:8, 16:19, 17:5, 18:2 e 18:10 e 21). Esta cidade representa o oposto a cidade de Jerusalém. Jeresalém era a sede do povo de Deus, Babilônia era a sede dos inimigos do povo de Deus (destruiram Jerusalém e levaram os judeus em cativeiro). Roma em suas fases pagã e papal assumiu esse papel (inimiga do povo de Deus).

Após 3 anos e meio, devido a tanto horror e confusão, a religião foi readmitida. Após isto, surgiram as Sociedades Bíblicas e a Bíblia começou a ser traduzida e distribuída em milhares de línguas e dialetos. Como foi predito:

``E depois daqueles três dias e meio o espírito de vida, vindo de Deus, entrou nelas, e puseram-se sobre seus pés, e caiu grande temor sobre os que os viram. E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi para cá. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos as viram. E naquela hora houve um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram atemorizados, e deram glória ao Deus do céu. É passado o segundo ai; eis que cedo vem o terceiro.'' Apocalipse 11:11--14.}

Um historiador descreveu a revolução como um terremoto. (Terremoto.)

Embora Deus não determine a história humana, pois os homens têm liberdade de escolha, Ele conhece o futuro (e isto deveria ser admitido ao menos como uma possibilidade aqui). A interferência, no caso, não é ostensiva, e sim, persuasiva. Explicando: Ele conhece o futuro e o revela aos seres humanos influenciando as escolhas que eles fazem.

*Nota: Esta interpretação de dias significando anos é confirmada pelo cumprimento histórico das várias profecias com períodos de tempo especificados. Um exemplo é a profecia em Daniel 9:23-27 das 70 semanas. O anjo fala a Daniel, no verso 25, que desde a saída da ordem para reedificar Jerusalém até o Ungido (Messias) haveria 7 semanas e 62 semanas. A ordem ou decreto para a restauração de Jerusalém depois que foi assolada pelos babilônios saiu em 457 a.C. pelo rei Artaxerxers I da Pérsia. 7 semanas têm 49 dias, ou seja, anos, e esse foi o tempo para a reconstrução do templo de Jerulalém, a respeito do qual Daniel estava orando antes do anjo se apresentar. Mais 62 semanas seriam 483 dias ou anos e, a contar de 457 a.C., eles terminam em 27 d.C., ano em que Jesus se batiza no rio Jordão e é oficialmente "ungido" para o seu ministério. Na última semana que falta para as 70, ou últimos 7 anos, o anjo afirma que o Ungido faria uma aliança com muitos por uma semana e faria cessar os sacrifícos na metadade da semana. A partir de seu batismo Jesus curou e pregou o evangelho por 3 anos e meio, depois foi crucificado, em 31 d.C, ocasião em que o véu do santuário se rasgou e os judeus deixaram, a partir de então, de oferecer sacrifícios de animais, e, por mais 3 anos e meio, até o ano 34 d.c., os discípulos de Jesus pregaram o evangelho aos judeus, quando então, um discípulo chamado Estevão foi apedrejado e os discípulos restantes se espalharam por outras terras para pregar o evangelho aos gentios. Além desta profecia, existem várias outras em que as datas previstas através da interpretação dias=anos conferem com os cumprimentos históricos.

Referências:
A Revolução Francesa
Culto da Razão
Queima de Bíblias: Journal of Paris, 1793, No. 318.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Obrigada



Por chegar e me fazer acreditar
Em coisas que já tinha esquecido
Por sua capacidade de amar
Por cada gesto desprendido

Por seu jeito de menino
E coração fraternal
Por seu tato fino
E olhar angelical

Por ser tão suave
E ao mesmo tempo tão forte
Por encontrar a chave
Que abre os tesouros da sorte

Por construir um castelo
Para a estrela brilhante
Por um coração tão belo
E um sorriso contagiante!

Por ser puro e espontâneo
Como uma criança
Mas firme e idôneo
Como o brilho da esperança!

Por sua alma dourada
Por ser o filho que não nasceu
Por ser fiel a sua amada
E restaurar a esperança que morreu

Obrigada por existir
E estar nas mãos de Deus
Por minha fé restituir
Quando ao mundo eu disse adeus!